terça-feira, 16 de agosto de 2011

A questão da autoestima Prof. Tania Zagury

Uma das grandes preocupações do momento em Educação e Psicologia é com a auto-estima. Professores, psicólogos e pais debruçam-se sobre a questão com cuidado crescente. Esclarecer alguns pontos básicos parece-me, portanto, valioso e útil.
Auto-estima (auto-imagem ou amor próprio) é a forma pela qual o indivíduo percebe seu próprio eu. É o sentimento de aceitação da sua maneira de ser. Se a pessoa se vê de forma positiva, valorizando suas características, podemos dizer que tem auto-estima elevada ou positiva. Se, ao contrário, ela não se aceita ou se desvaloriza, isto é, se há inconformidade consigo mesma, dizemos que tem baixa auto-estima ou auto-estima negativa. O cuidado especial com o tema deve-se ao fato de que indivíduos com baixa auto-estima têm possibilidades maiores de apresentar problemas como depressão e insucesso profissional, entre outros. O risco de fazerem uso de drogas e tornarem-se dependentes químicos é também mais elevado. São também passíveis de serem manipuladas e de cederem às pressões do grupo com mais facilidade. Daí porque, dentre as medidas de prevenção ao uso de drogas, inclui-se hoje o trabalho no sentido de melhorar a auto-estima.
A auto-estima começa a se formar muito cedo. Desde bem pequena a criança em interação com o meio, através das experiências vivenciadas vai incorporando idéias sobre si, que influenciarão suas atitudes posteriores. Nem preciso dizer o quanto nós, pais e professores – mais uma vez, tadinhos de nós, quanta responsabilidade sobre nossos ombros! -, temos peso na formação desse conceito. Embora não seja o único fator determinante, a ação de pais e docentes é essencial.
O que fazer, portanto, para que nossos filhos e alunos se vejam a partir de uma ótica positiva? O  que pode beneficiar ou prejudicar esse processo?
Uma das atitudes mais importantes é o respeito pela dignidade da criança. Tem gente que acha que, como a criança é pequena, não tem ainda sensibilidade nem percepção. Daí que falam e agem de acordo com essa idéia, inverídica. Mesmo a criança pequena, sente-se menosprezada se não levam em consideração seus sentimentos, se não atendem suas necessidades e desejos (evidentemente os que podem ser atendidos), se não é ouvida com atenção, se, sem nenhum motivo, ordens são dadas aos gritos e se não há respeito mínimo a sua privacidade. Esse é o primeiro passo: avaliar até que ponto os tratamos com respeito. Muitas pessoas relacionam-se com os vizinhos e amigos com educação e deferência, mas não fazem o mesmo com as crianças. Por outro lado, é bom lembrar que tratar as crianças de forma digna, não impede que as eduquemos, que estabeleçamos limites, regras, que digamos não quando necessário, e que também possamos fazer críticas construtivas todas as vezes que necessário.
Outro elemento fundamental é descobrir e ressaltar as qualidades e o valor que cada um de nossas crianças têm, evitando, o mais possível, fazer comparações – especialmente as desabonadoras – entre elas. Toda criança tem, desde a infância, características de personalidade que a diferenciam e individualizam. É claro que determinados traços – a capacidade de fazer cálculos matemáticos com rapidez, por exemplo - são valorizados e tidos como qualidades, enquanto que outros – a timidez, por exemplo – são encarados como “defeitos”. Se os adultos que convivem com a criança ou o jovem,  passam a maior parte do tempo, ressaltando aquilo que a sociedade convencionou chamar de “defeito”, eles começa a se ver como seres incompletos e  incapazes, o que, sem dúvida, irá contribuir muito pouco para que tenha uma auto-estima elevada. Se, ao contrário, as qualidades e virtudes são ressaltadas com freqüência, a possibilidade de ter auto-estima positiva cresce bastante. “João não dá para esportes” ouvido durante anos, poderá levar João a evitar qualquer atividade relacionada. “Angélica, minha filha mais velha é linda; mas a caçula, Antonia, em compensação é muito simpática” quase com certeza levará Antonia a introjetar a idéia de que é feia.
Confiar na criança é outro procedimento que contribui positivamente. Se seu filho lhe relata algo e vê, que, em seguida, você vai “tirar a limpo” com outra pessoa a veracidade do fato, é claro que sentirá que você não acredita nele. A criança reflete, de forma contundente, essa imagem que os pais têm dela. Se não crêem nela, ela tende também a não crer em si. Além disso, é preciso demonstrar confiança e fé na capacidade de o filho realizar aquilo a que se propõe. Se a criança diz que vai fazer uma pintura para a vovó e é estimulada alegre e confiantemente (“Ah, sim, faça isso... você pinta lindamente e sua avó vai ficar orgulhosa!”), acreditará na sua capacidade. Se não foi bem na escola num determinado bimestre, e os pais demonstram que sabem que o filho vai superar aquela dificuldade, estimulando-o com palavras e atos (“Isso pode acontecer com qualquer um, sei que você vai arrasar no próximo bimestre! Se precisar de alguma coisa, estou aqui para ajudar.”), a chance de superar a  crise é muito maior. O mesmo se repete em relação aos professores.
Outro fator importante é não criar expectativas exageradas. Quer dizer, se, desde pequeno, você começa a dizer para seu filho, a família e os vizinhos, tudo que “ele vai ser quando crescer” pode estar ativando um nível de metas que a criança nem sempre se sente capaz de alcançar, tornando-a ansiosa “por fazer coisas sensacionais”. As realizações simples do dia a dia - que, aliás, deveriam ser metas suficientes para todos - como passar de ano, tirar notas boas, ter um bom emprego e uma relação afetiva feliz, acabam obliteradas pelo desejo, por exemplo, de ser o melhor da classe, ter o maior salário ou ser alguém muito famoso. Menos do que isso será considerado sempre muito pouco e, obviamente, motivo de frustração e baixa auto-estima. Basicamente o que importa é que tenhamos equilíbrio para nem deixar de incentivar nossos filhos a progredirem, a irem adiante e a vencerem suas próprias limitações, nem tampouco fazer com que se considerem verdadeiros super-homens, levando a que se julguem acima ou melhores do que os colegas, adotando posturas prepotentes ou de menosprezo pelos demais. Os docentes devem atuar da mesma forma.
Também é importante fator de auto-estima, separar o ato do autor. Quando seu filho (ou seu aluno) fizer algo inadequado, evite generalizar; não o critique como pessoa. “Eu já sabia que você era um preguiçoso, mas agora, depois desse boletim, tenho certeza” ou “Nem preciso perguntar quem quebrou o abajur da sala, o desastrado da casa, quem mais?!...” - nada mais eficiente do que ataques pessoais, para fazer com que a criança sinta-se um zero à esquerda.  E para que tenha a confirmação de suas suspeitas: “eu sabia que nada iria adiantar, meus pais ( ou professores) não vêem mesmo meus esforços, para que lutar?”. A confirmação de que sua concepção de que não tem valor é verdadeira, poderá consolidar o conceito de menos-valia, que dificilmente será superado. Se, ao contrário, ao chamarmos a atenção dos nossos filhos para o que fizeram de errado, fixarmos o ato em si (“Meu filho, isso que você fez não combina com você” ou “Tenho certeza que você pode fazer melhor que isso,  conheço sua capacidade”) estaremos possibilitando seu crescimento e a superação do problema, sem abalar a auto-estima. As censuras devem dirigir-se ao fato concreto e não à personalidade ou características da pessoa. Os professores também devem agir com esse objetivo em mente.
Tendo esses cuidados, pais e mestres estarão contribuindo decisivamente para a auto-estima positiva das novas gerações.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

As azaleias não florescem

        " Imaginem que um zelador tivesse o mesmo tipo de mentalidade que ronda as secretarias(ou ministério) da educação deste país.Esse zelador é encarregado de tomar conta de uma câmara fria, onde estão sendo cultivadas azaleias. Como todos sabem as azaleias são flores de inverno e só florescem se mantidas, por certo período,em baixas temperaturas.(Não sei o valor exato, mas digamos que seja entre 10 e 16º C.)
          Para fiscalizar o zelador ,é instalado no interior da câmara fria, um termômetro registrador, desses que vão traçando sobre um papel quadriculado a temperatura ao longo do tempo.
          De repente o zelador percebe que  atemperatura começa a subir demais, corredo o risco de passar do limite permitido. se ele pensa como a "autoridade do ensino", sai correndo e vai na geladeira buscar uma pedrinha de gelo para encostá-la no sensor do termômetro, não permitindo que a linha que está sendo traçada no papel, passe de 16º .
          Poroutro lado, se o risco, em outra ocasião, tiver tendência a baixar demais, não há nada como um bom fósforo aceso debaixo do sensor!
          Passado operíodo de "esfriamento" das azaleias, o papel mostra a linha impecável com pequenas oscilações...
         Tudo perfeito, a não ser por um pequeno detalhe: AS AZALEIAS NÂO FLORESCERAM!
         (...) Em nossas escolas... O termômetro tornou-se mais importante que a temperatuta.

                                         ( Prof. Pier Estimulando Inteligência- Ed. Aleph)

         Colegas educadores, o que temos a dizer sobre isto? Ou o que temos nós com isto?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Semente de ideias: Cabeça de jardineiro

Semente de ideias: Cabeça de jardineiro

Cabeça de jardineiro

                                      
            Os sonhos não têm idade, sexo, nacionalidade ou credo. Eles só precisam que alguém sonhe, idealize e crie, pois o nosso amanhã é o hoje que transformamos.
            Como nos ensina Tejon, o sonho é o que você faz com a realidade enquanto sonha. Daí surge as ideias e criações. Cabeça de jardineiro é assim!
            Existindo o espaço físico, projetamos as cores, idealizamos os canteiros,buscamos os perfumes e saudamos a vida. Isto é tão difícil de entender? ...
            Você deve estar pensando em como se pode fazer a jardinagem com toda a poluição já existente, águas envenenadas... Como podemos buscar a beleza em um contexto que privilegia a massificação e superprodução? Onde buscar e cultivar a beleza e o perfume exóticos?
            Devemos entender que nossos sonhos e ações nos dão identidade. Mas o que é identidade? Talvez seja o que eu gosto, pois grande parte do que eu sou é constituído pelo que eu quero. Assim deve ser o verdadeiro jardineiro, aquele que se apaixona pelo que faz. Só este é capaz de construir estufas, produzir adubos naturais.  Ele sabe de cor – com o coração- o que deseja.
            Mas nada acontece de verdade, até que toquemos a realidade. Um toque de carinho e amizade, num gesto de abençoar. Este toque não pode ser impessoal, deve vir como um beijo que sela compromisso e descobre as realidades mais secretas
Como diria Alves, as sementes só engravidam a terra, se o plantio for prazeroso. Assim, o jardineiro deve ser aquele que provoca, excita a terra, para nela inseminar as sementes que gerarão os frutos que alimentarão ou embelezarão os jardins.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Professor semeador

PROFESSOR SEMEADOR
Tu és presença e pessoa.

Não podes fugir à responsabilidade de semear!

Não digas: o solo é áspero, o sol queima,

Chove freqüentemente, a semente não presta!


Não é tua missão julgar a terra,

O tempo, as coisas,

Tua missão é semear!

As sementes são abundantes

E germinam facilmente.

Um pensamento, um gesto,

Um sorriso, uma promessa de alento,

Um aperto de mão, um conselho amigo,

Um pouco de água!

Não semeies, porém, descuidadamente,

Como alguém que se desincumbe de uma obrigação,

Ou que cumpre uma simples tarefa!

Semeia com amor, com interesse, com atenção

Como quem encontra nisso o motivo de sua felicidade!

(...)
Porque semeias num mundo

Onde doar é receber,

Onde dar a vida é perdê-la,

Onde gastar servindo

È fazer crescer e transformar!


Semeia sempre em todo o terreno,

Em todo o tempo e com muito carinho,

A semente,

Como se estivesses semeando o próprio coração.

A esperança a regará!

Sai Semeador! Parte!

Prepara! Leva contigo tudo o que tens, tudo o que sabes

E acolhes o que o outro te dá!

Aceita o desafio do Semeador

Que semeia o bem, a verdade, a sabedoria!

Tu também és um grande Semeador!'.

        ( Autor desconhecido)