sábado, 31 de março de 2012

Pessoas que beijam a realidade mudam sua vida e o mundo

         "Nossa realidade pode ser árida  como um deserto, e tudo o que temos  nsa mãos talvez sejam a apenas pedras. Mesmo assim podemos, podemos construir algo. Podemos começar de novo. Podemos mudar tudo." Este é o pensamento de  Tejon em :  O Beijo na realidade - Editora Gente
            Em seu livro ele nos relata uma história de um viajante em uma região semideserta. Esse viajante estava faminto e tudo o que via à sua frente eram pedras, muitas pedras. Enquanto viajava avistou uma casa, mas não se animou, visto que  a dona da casa era uma pessoa avarenta e nunca lhe daria de comer. Mesmo assim bateu à sua porta e foi logo dizendo: "Minha senhora, vejo que em seu jardim existem muitas pedras de um tipo especial." Curiosa ela quis saber o quanto eram especiais.
            “A senhora não sabe? São pedras que dão sopas deliciosas. Se quiser posso lhe ensinar  afazer essa sopa." Mulher gananciosa, animou-se com a economia que faria; convidou-o a entrar em sua cozinha e passou a oferecer-lhe tudo o que pedia.
           “A senhora vê? Estas são as mais saborosas", e tirava a colher do caldeirão e pingava um pouco na mão e provava. A senhora só queria saber se já estava pronta a sopa , mas o viajante só  fazia pedidos, acrescentando detalhes como:  legumes, carnes,  ao que a senhora atendia. Em determinado tempo anuncia que a sopa estava pronta e que ela deveria deixá-lo provar, pois existem pedras que são tóxicas; caso não se intoxicasse ela poderia fartar-se da sopa. A senhora logo consentiu, estava contente em saber  que poderia reaproveitar as pedras, o que geraria economia.
            Após alimentar-se, matar sua fome, o viajante segue seu caminho.
            Sua realidade eram pedras e uma mulher avarenta. Mas isto não o impediu  que saciasse sua fome  e prosseguisse a viagem.
            Pode ser só uma historia, mas ha gente que pega uma pedreira pela frente e realiza coisas maravilhosas.
            Em seus escritos Tejon nos ensina que todo progresso surge do enfrentamento da realidade. A realidade e o alicerce do sonho possível, pois sonho e o que você faz com a realidade enquanto sonha.
            Abrace a realidade e conquiste o mundo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O Matador de Dragões

            Zhuangzi, um célebre autor chinês, conta a história de Zhu Pingman, que foi procurar um mestre para aprender a melhor maneira de matar dragões. 

            O mestre treinou Pingman por dez anos seguidos, até que este conseguiu desenvolver, com perfeição, a técnica mais sofisticada que havia para matar dragões.

            A partir dali, Pingman passou o resto da vida procurando dragões, a fim de poder mostrar a todos sua habilidade. Para sua grande decepção, nunca encontrou nenhum.

            O autor da história então comenta: “Todos nós nos preparamos para matar dragões e terminamos sendo devorados pelas formigas dos detalhes, às quais nunca prestamos atenção.



Paulo Coelho, Histórias para pais, filhos e netos. 2001.

*** Ao começarmos um novo ano letivo, quando traçamos planos,elaboramos metas,não podemos dos esquecer de "olhar as formigas'; pensamos  em ações grandiosas e não nos atentamos para os detalhes que alicerçam a obra. 

Atravessando pontes : nossas escolhas e ações

   Olá amigos e leitores, gostaria de compartilhar com vocês algumas reflexões, neste ano de 2012.
   Em 2010 e 2011, li, conheci e estudei sobre plasticidade cerebral, modificabilidade cognitiva e aprendizagem mediada;isto em função de meu trabalho de dissertação de mestrado.Estas leituras e estudos ( Vygotsky,Feuerstein,Paulo Freire, Vitor da Fonseca,Rubem Alves e outros) consolidam minha hipótese de que a formação acadêmica e também aquela que se dá em serviço, do profissional da educação,direcionam e viabilizam a prática mediadora.
   Uma práxis pedagógica mediadora concretiza-se quando possui intencionalidade e reciprocidade.Ao conhecer e reconhecer as potencialidades daqueles que mediaremos podemos, intencionalmente,intervir e mediar os conhecimentos necessários á concretização das competências.Isto é ser 'ponte'.Ponte não serve para ligar,atravessar,ultrapassar? Nossas escolhas e ações dão sentido de "ponte"?
    Ao falarmos  do cérebro como um órgão plástico, estamos defendendo as potencialidades diversas e desconsiderando a 'cristalização', a regularidade sem flexibilidade.
    Estas linhas são somente uma provocação,futuramente detalharemos alguns questionamentos.

   

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

               Gênero, sexualidade e diversidade.

            O Professor Thomas S.M. Fonseca da Secretaria de educação de Juiz de Fora,durante o II Seminário Regional de Educação Inclusiva, de Ponte Nova, afirma que a questão de gênero diz respeito às relações entre sujeitos; refere-se a tudo que é classificado como feminino ou masculino  numa determinada cultura e contexto histórico, ou seja, é uma construção social. O professor diferenciou o gênero da sexualidade que, segundo o mesmo é o conjunto de saberes, símbolos, valores e crenças relacionadas às formas de vivência de prazer e afetividade.

            Thomas apresentou a educação para a sexualidade como possibilidade de se viver, de forma ética, os prazeres; as identidades sexuais, segundo o professor, não são dados da natureza, são papéis que se constroem culturalmente.

            O conferencista contextualiza sua “fala” a uma visão pós-moderna; visão de continuação da modernidade, onde se discute as fronteiras. É o tempo da liquidez. Ele cita Foucault quando fala da sexualidade e a relação de poder, apresenta-a como dispositivo histórico, uma invenção.  

           Em tempo de liquidez, preocupa-me o fato das “verdades” relativas de um mundo machista que vivencia vários movimentos de minorias. O fato de que os conceitos  “tomam formas” mediante a cultura “dominante”,leva-nos à reflexão sobre a relação de poder/domínio.

Cláudia G. S. Rodrigues

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Afetividade,mediatização e cognição

AFETIVIDADE, MEDIATIZAÇÃO E COGNIÇÃO
Cláudia G. S. Rodrigues *
callrodrigues@yahoo.com.br
          Nestes últimos de magistério, em especial o período de 2005 a 2010 trabalhando em escola do Projeto Incluir da SEE/MG,tive várias oportunidades de participar de cursos de capacitação e me dediquei a pesquisar, ler e estudar sobre a modificabilidade cognitiva e a aprendizagem mediada de Reuven Feuerstein; revi a pedagogia social de Paulo Freire e de Vygotsky;li várias obras de Vitor da Fonseca e muitos artigos e livros relacionados à área da psicopedagogia .
          Concordo com o professor Chalita quando afirma que “há muitas formas de transmissão do conhecimento, mas o ato de educar só se dá com o afeto, só se completa com o amor”;já que os afetos constituem a classe restrita das emoções que acompanham algumas relações interpessoais,eles nos remetem a atitudes de bondade,proteção,acolhida e devoção,o que faz com que o “educador” exerça função primordial no desenvolvimento holístico dos educandos.
          Ao entendermos que a essência da cognição é sua propensão à resolução de problemas, vimos que é também, a essência da adaptabilidade criativa da espécie humana (Fonseca, 2002).
Já que o cérebro é um órgão plástico e o processo de aprendizagem decorre neste espaço,é importante lembrarmos que  a arquitetura da cognição decorre de processos neurais e que, a cognição evoca sistemas neurais que são produtos da evolução filogenética ( sobrevivência, prazer e aprendizagem) e da evolução ontogenética ( linguagem corporal, falada e escrita), o que viabiliza diversos estilos de vida e processos de aprendizagem.
          Feita esta introdução pretendo, sem lançar mão de receitas que propõem uma ação simplista a uma atividade tão complexa, propor algumas idéias para os educadores mediadores se inspirarem, refletirem, questionarem.
1-      MEDIADOR (A) é o (a) educador (a) que acredita nas múltiplas inteligências e na plasticidade cerebral.

Desafio à reflexão:
“Ensinar exige a convicção de que  a mudança é possível” ( Paulo Freire ,2009)

2-      MEDIADOR (A) é o (a) educador (a) que sabe gerir o seu trabalho de forma intencional e planejada.

Desafio à reflexão:
“Ensinar exige rigorosidade metódica, pesquisa, criticidade.” (Paulo Freire, 2009)

3-      MEDIADOR (A) é o (a) educador (a) que faz uso do processo de transfere (bridging);é a ação de ponte, de relações, onde se aprende o conceito ou o princípio de pensamento – Aprender a prender.

Desafio à reflexão:
“Assim são os saberes: ferramentas. Ninguém aprende ferramenta para aprender ferramenta. O sentido da ferramenta é o seu uso na prática. O sentido de um saber é o seu uso na prática.” ( Rubem Alves,2002)
4-      MEDIADOR (A) é o (a) educador (a) que entende sua função no impulsionamento da maturação da estrutura cognitiva do sujeito.
Desafio à reflexão:
               “Professores, grosso modo, são, provavelmente, a mais ignorante classe de seres no
            inteiro grupo de trabalhadores mentais.” (Henry L. Mencken- 1880-1956)

5-      MEDIADOR (A) é o (a) educador (a) que modula a intensidade do estímulo de acordo com a necessidade do mediado.

Desafio à reflexão:
“Marcada pela presença intencional do outro, a mediação é uma qualidade funda-mental para que a criança insira-se na ordem humana.” (Cristiano M. A. Gomes, 2002)


6-      MEDIADOR (A) é o (a) educador (a) que extrapola o dia-a-dia, transcendendo relações e produzindo “verdades” junto ao mediado.

Desafio à reflexão:
“ Na ausência da crença na modificabilidade, ou na relutância para se engajar na sua aplicação,o sistema educacional torna-se anêmico, manifestando, na melhor das hipóteses, uma proposta de aceitação passiva, que é aceitação do indivíduo como ele é.Na pior, a escola rejeita-o de modo espartano, quando sua condição não preenche aas expectativas da sociedade.” ( Feuerstein e Feuerstein,1994)

*Educadora da rede estadual de ensino de MG, psicopedagoga institucional em rede particular de ensino – Salesiana – MG, mestrando em Gestão Educacional – UPS - Equador
         

Recursos Bibliográficos:

ALVES, Rubem – A escola quê sempre sonhei, sem imaginar que pudesse existir. Ed.Papirus
                              2001.
_____________ Por uma educação Romântica, Ed. Papirus – 2002
FONSECA, Vitor – Pedagogia Mediatizada – Ed. Salesiana, 2002
_______________ Modificabilidade Cognitiva - Ed. Salesiana, 2002
FREIRE, Paulo – Pedagogia da Autonomia – Ed. Paz e Terra – 2009
GOMES, Cristiano M. Assis- Feuerstein e a construção mediada do conhecimento. Artmed,
                              2002.
MONTE-SERRAT, Fernando – Emoção, afeto e amor – Ingredientes do processo educativo
                               Editor Planeta, 2007
PIAZZI, Pierluigi- Ensinado Inteligência – Col. neuropedagogia Vol. 3. Ed. ALEPH,2009